O Dia Mundial sem Tabaco é celebrado anualmente em 31 de maio. Criada em 1987 pelos Estados membros da Organização Mundial da Saúde (OMS), a data tem como objetivo conscientizar a população sobre os malefícios dos produtos derivados do tabaco e da nicotina, que muitas vezes são desenvolvidos para se tornarem mais atrativos a crianças, adolescentes e jovens.
A campanha também busca informar a sociedade sobre hábitos saudáveis e formas de proteção contra as consequências devastadoras causadas pelo tabagismo.
Todos os anos, a secretaria de saúde e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) definem um tema para orientar ações de promoção da saúde, prevenção e tratamento da dependência do tabaco e da nicotina. Em 2026, o tema escolhido foi “Desmascarando o apelo: combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, direcionando atividades de educação, comunicação, pesquisa e assistência à saúde, além do incentivo à adoção e ao fortalecimento de medidas legislativas e econômicas de controle.

O trabalho é desenvolvido de forma integrada pela secretaria de saúde, INCA e Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), em parceria com as secretarias estaduais e municipais de saúde. A rede foi estruturada seguindo a lógica de descentralização do Sistema Único de Saúde (SUS), possibilitando a coordenação regional das ações em todo o país.
Ao longo dos anos, o tabagismo deixou de ser tratado apenas como um hábito e passou a ser reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência da nicotina.
“O tabagismo é considerado uma doença e um vício. É uma doença neuropsicogênica, segundo a nova Classificação Internacional de Doenças, porque torna a pessoa dependente da nicotina. Esse vício age diretamente nos pulmões, mas não apenas nesse órgão. Precisamos reforçar que o tabagismo danifica todo o organismo. Por onde a fumaça do cigarro passa, ela vai causando danos”, explicou Lukas Vieira, cirurgião torácico oncológico com formação pelo INCA.

No Acre, as ações são coordenadas pelo Núcleo de Prevenção de Doenças Crônicas da secretaria de saúde, que atua em três frentes principais: tratamento do tabagismo por meio de grupos realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), prevenção da iniciação ao consumo entre crianças e adolescentes e mobilização da população em datas alusivas.
De acordo com Vanessa Cristina, chefe do Núcleo de Prevenção de Doenças Crônicas do Departamento de Atenção Primária à Saúde (Daps), o Estado oferece apoio técnico e logístico aos municípios, além de capacitação e monitoramento contínuo das ações.
“Nós realizamos assessoria direta às secretarias municipais de saúde, com fornecimento de materiais gráficos e medicamentos; articulação das inscrições nos treinamentos promovidos pelo INCA, acompanhando posteriormente a certificação dos participantes; além de capacitações regionais voltadas aos coordenadores municipais e aos futuros condutores dos grupos de tratamento do tabagismo. Também consolidamos os dados de atendimentos realizados pelas Unidades Básicas de Saúde, unificando as informações e encaminhando periodicamente ao INCA”, destacou Vanessa Cristina.

Além da qualificação das equipes multiprofissionais, a secretaria de saúde desenvolve campanhas educativas nas escolas da rede estadual de ensino. Em Rio Branco, as ações já foram realizadas no Colégio Acreano e Instituto São José, além de atividades promovidas em todas as regionais do estado.
Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2019), os municípios acreanos com maior número de fumantes são Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Sena Madureira.

Levantamento realizado em 2022 pela Secretaria Executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq) aponta que aproximadamente 12% de todas as mortes registradas no país são atribuídas ao tabagismo. O estudo estima ainda um custo anual de R$ 153,5 bilhões ao Brasil, considerando despesas médicas, cuidados informais e perdas de produtividade relacionadas ao consumo de tabaco.
Em contrapartida, a arrecadação de impostos federais sobre a venda de cigarros somou cerca de R$ 8 bilhões em 2022, valor que corresponde a apenas 5,2% dos prejuízos econômicos causados pelo tabagismo.
Os impactos na saúde também são expressivos. Anualmente, o tabagismo está associado a aproximadamente 40.567 mortes por Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), 30.871 por doenças cardíacas, 29.352 por outros tipos de câncer e 26.583 por câncer de pulmão.
Embora o câncer de pulmão seja a enfermidade mais lembrada pela população, o uso prolongado do tabaco também está relacionado ao desenvolvimento de câncer de boca, garganta, orofaringe, pulmões e mediastino. Além disso, aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares e respiratórias.
